sábado, 1 de janeiro de 2011

Venha de lá o novo ano !

O ano de 2010 terminou, foram 12 longos meses que tardavam em chegar ao fim. Foi um ano terrivelmente dificil para todos ou, melhor dizendo, para quase todos. As famílias tiveram dificuldades em distribuir os seus rendimentos, já que com muito custo, o dinheiro disponível mal ia chegando para lhes proporcionar um mínimo de bem estar.

As pequenas e médias empresas que sobreviveram, passaram o ano, com idênticas dificuldades. As despesas foram muitas, as vendas não foram as suficientes para resolver todos os encargos do dia a dia. Os clientes estão a evitar fazer compras e mandar fazer serviços, devido ao grande volume de encargos que também têm.

No entanto, as obrigações financeiras dos empresários, todos os meses e sem poderem falhar, pouco se importam se há crise ou se não há crise. Se os clientes compram ou se não compram. Se há meses piores que outros ou se não há. O certo é que naquele dia, a obrigação do empresário em pagar lá está a bater-lhe à porta e não vale a pena estar com desculpas. Se não vendemos, tivéssemos vendido. Se não recebemos dos clientes, tivéssemos recebido.

As pessoas preferem os grandes Centros Comerciais para fazer as suas compras. Não importa o atendimento não ser personalizado. Não importa a assistência técnica aos produtos comprados não ser eficiente. Não importa termos de comprar tudo a pronto pagamento. Não importa estarmos a evitar o desenvolvimento da nossa terra. Não interessa estarmos a deixar o nosso dinheiro em mãos de quem menos precisa dele. Enfim, o que interessa é que fazemos aquilo que fazem os nossos amigos, os nossos vizinhos, os nossos familiares, etc.

O ano de 2011 tem de ser vivido de forma diferente. Está em risco toda uma nação e consequentemente, todo o seu povo. Temos de pensar por nós próprios; temos de fazer aquilo que somos capazes de fazer; temos de ser quem somos.
O nosso futuro só será diferente se fizermos para isso, mas tem de ser já no próximo ano. Se esperarmos por melhores dias, eles nunca chegarão. Tem de ser já no início de 2011, mas não podemos voltar ao passado, depois de um mês ou dois. Nos princípios de cada ano, pensamos sempre em coisas boas e que vamos realizar determinados trabalhos que há muito tempo desejamos fazer. Mas, logo, logo, desistimos e mais um ano passa e tudo fica na mesma.

Qual será então o motivo de não darmos forma aquelas coisas boas que pensámos realizar, mas que afinal, acabámos por não fazer ?

A minha resposta é que são as dificuldades que encontramos logo depois de darmos início às tarefas que nos levam à realização daquelas coisas boas que desejámos fazer e que nos dariam bem estar. Para evitar estas dificuldades temos de nos sentir fortes e com capacidade para as ultrapassar, porque uma grande parte da solução dos problemas está em nós. Se pensarmos bem, verificamos que também seremos capazes de fazer coisas boas que os outros também fazem.

A propósito do que digo e sempre falo de situações que tenho conhecimento, vou contar-vos uma história real que se passou comigo quando fundei a minha empresa:
Sempre gostei muito de trabalhar em documentação, principalmente por, assim, poder ajudar as pessoas a resolver as suas situações. Quem me conhece, sabe bem que ponho sempre em primeiro lugar a solução dos problemas de cada pessoa. Só me pagam se realizar os serviços; por informações, os clientes não me pagam qualquer importância. Tenho mais dificuldade em ficar rico, mas é a minha forma de trabalhar e também hei-de ser um grande empresário, pois esse é o meu desejo e o meu sonho.

Mas, voltando à minha história, quando pensei em criar a minha empresa de documentação, nunca me passou pela cabeça que tinha de ir regularmente a Lisboa tratar dos assuntos. O que os leitores não sabem é que eu era das pessoas que não seria nunca capaz de ir sozinho a Lisboa. Fui lá muitas vezes em serviço, mas sempre com alguém ao meu lado. Eu tinha a certeza absoluta que nunca conseguiria conduzir em Lisboa, sem ter alguém a dar-me indicações de quais as ruas onde teria de circular. Entrando a primeira vez em Lisboa logo me perderia naquele labirinto de ruas, avenidas e milhares de viaturas a apitar e a fazerem manobras tão perigosas, que me davam essa certeza de nunca conseguir lá conduzir sozinho.

Com a empresa de documentação a trabalhar, surgiu o primeiro dia de ir a Lisboa e só havia eu para lá ir. E agora ... como vai ser ??? !!!, disse eu, sem saber como fazer. Então eu tenho a certeza que não consigo ir a Lisboa e fui fazer uma empresa destas...

Na noite anterior a esse dia, não consegui dormir a pensar como iria descalçar aquela bota . Não sabia andar em Lisboa; não sabia onde eram as repartições onde teria de ir; não sabia como se tratavam os assuntos. Ainda de madrugada, levantei-me e às voltas pela casa, interrogava-me: vais ou não vais e voltava a interrogar-me: vais ou não vais. Mas a verdade é que não encontrava resposta às minhas interrogações.

Chegada a hora de decidir, pensei: acorda, Carlos Brito, afinal quem és tu ?!!! Olha os compromissos que tens com os teus clientes; olha a tua palavra de honra que lhes destes; olha os outros que vão a Lisboa sem ninguém a ajudá-los, será que são melhores do que tu ?!!!

Então aí, já tinha respostas motivadoras para enfrentar uma coisa que eu tinha a certeza, a certeza absoluta que não era capaz fazer. Mesmo tendo essa certeza, tinha razões suficientes para ir... e fui. Pelas 6 horas da manhã, saí de Rio Maior, com dois processos para tratar. Preparei tudo e levava os contactos e as moradas dos locais onde teria de ir. Quando era meio dia, no mês de Outubro há dez anos (1997), andava ainda às voltas nas ruas de Lisboa, Fazia frio de rachar nesse dia, mas conduzia apenas em camisa. Com suores correndo-me por todo o corpo e com os vidros abertos para refrescar, todos olhavam para mim, pois era um dia muito frio. Liguei então para a primeira repartição que me informaram estar muito longe de lá e que se tinha dificuldades o melhor era lá voltar outro dia com mais calma. Os serviços fechavam as 16 horas, às 15 horas, ainda sem almoçar, estava lá, como se tivesse sido o primeiro homem a atingir o cume do Monte Evereste e a colocar lá uma bandeira de Rio Maior. Cerca das 18 horas chequei ao segundo local que fechava às 19 horas. Voltei para casa, onde cheguei pelas 9 horas da noite.

A partir desse dia nunca mais senti qualquer situação que não possa ser resolvida, sejam quais forem as dificuldades existentes ou que venham a aparecer. Desde esse dia não aceito ouvir as pessoas dizer que não conseguem fazer isto ou aquilo. Eu tinha a certeza, a certeza absoluta que nunca consegueria conduzir em Lisboa sozinho ou sem ajuda e ... C O N S E G UI !!!

Entendam agora o sentido de algumas palavras que escrevo aqui. Entendam os meus clientes quando me esforço até à exaustão, para tratar dos seus assuntos; Entendam a dor e o sofrimento que tenho quando, devido a terceiras pessoas que dizem não ser capazes de resolver as situações, eu não tenha possibilidade de resolver os meus assuntos ou os dos meus clientes.

Neste ano de 2011, vamos todos fazer as coisas que desejamos e sonhámos realizar. Tudo é possivel, o homem sonha, Deus ajuda e a obra nasce. Estas palavras são muito bonitas, mas temos de realizar as obras com que sonhamos, ninguém as fará por nós. Mesmo que seja num mês frio e que tenhamos de suar a nossa camisa...

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