terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Associativismo, um bem a não perder



Durante muitos anos e desde tenra idade que estou ligado ao associativismo. Desde os meus 16 anos de idade que tenho colaborado e feito parte de diversas associações culturais, desportivas, recreativas, empresariais, etc.

O movimento associativo me fascina. A associação das pessoas, motiva-as levando-as a realizar coisas espectaculares que, pensamos muitas vezes, não sermos minimamente capazes de fazer.

Tendo efectivamente colaborado e exercendo cargos de responsabilidade, ligado durante todos estes anos ao associativismo, conheço muito bem as suas práticas, a sua gestão e as suas dificuldades.

A expressão associativismo designa a prática social da criação e gestão das associações e a defesa dessa prática enquanto processo não lucrativo de livre organização de pessoas (os sócios), para obtenção de finalidades comuns.

O associativismo, enquanto forma de organização social, caracteriza-se pelo seu carácter de voluntariado, usado como instrumento da satisfação das necessidades individuais das pessoas, nas mais diversas manifestações.

O associativismo é de tão grande importância para a humanidade que todos os princípios, pelos quais nos regemos, apontam para a vida em associação, ou seja, todos nós temos necessidade de viver em sociedade, uns com os outros, mas respeitando as identidades individuais de cada pessoa.

A Lei, em todas as suas amplitudes, defende o direito de associação. O artigo 20º da Declaração Universal dos Direitos do Homem estipula que “toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas”.

A Constituição da República Portuguesa, no seu artigo 46º determina que “os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal. As associações prosseguem livremente os seus fins sem interferência das autoridades públicas”.

O Código Civil Português, proteje igalmente a criação de associações. Toda esta legalidade, prevista nas mais diversas normas, constituem as associações de um poder que na prática não lhes é atribuído nem reconhecido.

A força do poder associativo, por não ser devidamente reconhecida, tem vindo a deixar cair a sua posição e nos tempos de hoje, diz-se também haver uma crise no associativismo.

O governo central e as autarquias locais, deveriam valorizar o movimento associativo, não só, subsidiando-o pelas suas actividades de voluntariado, mas também reconhecendo quem nele participa.

A boa gestão das associações e o seu sucesso, passa, sobretudo, pelo seu reconhecimento. Reconhecê-las passa, simplesmente, por ouvi-las, não só mais, mas melhor, dando-lhes assim o seu espaço na sociedade e deixarem-nas exercer o seu poder que não choca com qualquer outro. É ele o poder associativo, o poder que move montanhas e pessoas.

Se as pessoas têm necessidades básicas em se associar; se estando associadas conseguem atingir os seus objectivos; se só estando associadas é que as pessoas sentem que a suas vidas têm algum sentido; se a própria Lei incentiva o movimento associativo, então qual o motivo de haver crise no associativismo?

O que me parece, pela minha experiência, é que existindo na realidade todo um grande número de associações das mais variadíssimas áreas, as pessoas, sendo incentivadas a colaborar, não são motivadas a participar na sua organização e nas suas actividades.

Cada um de nós, gente comum, sabemos fazer muitas coisas e todos sabemos mais ou menos o quê. Perguntem-nos o que sabemos fazer e digam-nos onde, como e com quem poderá ser feito e depois, senhores responsáveis do governo central e das autarquias locais, vejam o resultado e não voltarão a ouvir falar de crise no associativismo.

Antes de falarmos de qualquer crise, é preciso primeiro fazer alguma coisa para a resolver. Para isso é preciso ter coragem, saber o que fazer e, essencialmente, saber se nos convém.


Carlos Brito

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